Saúde

Cuidados com pé diabético

Pé diabético é um termo genérico que utilizamos para definir complicações em extremidades inferiores causadas pelo controle insatisfatório do Diabetes Mellitus. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, estima-se que mais de doze milhões de pessoas sejam portadoras desta doença no Brasil.

As complicações mais comuns são: isquêmicas, infecciosas, ortopédicas e neuropatas.

- Isquêmicas: A inflamação causada nas artérias pelos níveis elevados de glicose no sangue, aceleram o processo de deposição de gordura na parede das artérias, causando as placas de ateroma. Com o passar do tempo, essas placas aumentam de tamanho prejudicando a livre circulação do sangue, até que obstruem o vaso o que é responsável por Infartos cardíacos, AVC (famoso derrame), úlceras isquêmicas (feridas que não cicatrizam), necrose de extremidades (especialmente dedos de pés). Todas essas complicações causam dor, sofrimento e queda na qualidade de vida, com evolução para insuficiência cardíaca, Nefropatia diabética (rim para de funcionar e é necessário iniciar hemodiálise), retinopatia diabética (cegueira), amputações dentre outros. As úlceras isquêmicas são lesões dolorosas que surgem após pequenos traumas e que não cicatrizam, com tendência a aumentar e piorar progressivamente, podendo evoluiu para gangrena e amputação de dedos ou perna.

- Neuropática: Os níveis elevados de glicemia no sangue (taxa de glicose), causam inflamação nos nervos que ao longo dos anos vão sendo prejudicados e param de funcionar, ou seja, param de enviar os estímulos táteis, vibratórios e dolorosos para cérebro, onde serão interpretados como sensação de pressão, sensação vibratória e sensação de dor. A falta de sensibilidade no paciente com diabetes ocorre mais frequentemente nos pés, o que aumenta o risco de lesões que passam despercebidas, tais como bolhas, calos, frieiras, micoses e pequenos machucados. A dificuldade de cicatrização própria do diabético aumenta o risco dessas lesões evoluírem para úlceras crônicas que podem infectar e isso aumenta o risco de amputação.

- Infecciosa: Os pequenos machucados que surgem pela falta de sensibilidade no pé do paciente que tem diabetes podem aumentar de tamanho sem serem percebidos e com o passar do tempo, bactérias próprias do meio ambiente colonizam a ferida e passam a causar um intenso processo inflamatório que conhecemos como infecção. A infecção causa dor, vermelhidão, saída de secreção purulenta, odor fétido e aumento da úlcera que se torna crônica, ou seja, temos dificuldade de cicatrizá-la. A medida que a infecção não é tratada, ela progride pelos tecidos, acometendo sucessivamente pele, tecido adiposo (gordura embaixo da pele), músculos, tendões e osso. Quanto mais profunda for a infecção, mais difícil será controlá-la, sendo por vezes necessário internação hospitalar para tratar antibióticos venosos, curativos especiais e até mesmo necessidade de limpeza cirúrgica, sendo que esta última pode variar de um simples desbridamento até a amputação do membro comprometido.

Diante disso, fica claro a necessidade de prevenirmos as complicações causadas pela diabetes, haja visto que as complicações causam transtornos pessoais, sociais e familiares muito intensos, com queda na qualidade de vida dos paciente e familiares envolvidos.
O que fazer para prevenir complicações do diabetes:

1) NUNCA andar descalço – para evitar pisar em pedras, galhos, espinhos.
2) NÃO USAR CHINELO DE DEDO – tipo Havaiana – causa lesão entre os dedos pelo atrito.
3) Usar sapatos confortáveis, cuja sola seja dura por fora e macia por dentro e que haja ajuste regulável com velcro– tipo papete. Isso evita áreas anômalas de pressão.
4) Fazer inspeção dos pés diariamente em busca de bolhas, calos, áreas avermelhadas , micoses – pedir ajuda de familiares.
5) NÃO fazer escalda pé – mergulhar pés em água quente.
6) NUNCA CORTAR o canto das unhas – cortar as unhas reto, deixando 1mm acima da borda da pele e lixar os cantos, mantendo as unhas em formato quadrado – acompanhar com podólogo especializado pelo menos uma vez por mês.
7) Hidratar as pernas e pés várias vezes ao dia com dersani ou outro óleo de sua preferência. Não passar hidratante entre os dedos dos pés.
8) Acompanhar com seu médico cirurgião vascular pelo menos uma vez a cada 6 meses para prevenir todas essas lesões nos pés e em caso de surgimento de qualquer tipo de lesão, procurar o cirurgião vascular IMEDIATAMENTE.

Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito. Aristóteles