Trombose venosa profunda: o que devo saber?

Trombose venosa profunda: o que devo saber?

A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma doença que se manifesta de forma aguda, causada pela oclusão súbita de uma veia profunda por um coágulo, causando dor, inchaço e limitação dos movimentos do membro afetado. Esta oclusão súbita impede que o sistema venoso profundo realize a drenagem venosa de forma eficaz. A formação do coágulo dentro da circulação venosa pode ocorrer por diversos fatores: lesão da parede do vaso, estase sanguínea, aumento da viscosidade do sangue ou por fatores genéticos que desencadeiam a coagulação sem necessidade (trombofilias).

Os principais fatores de risco para a TVP são:

  •  Idade acima de 40 anos
  •  História pessoal ou familiar prévia de trombose
  •  Imobilização (paciente acamados, pós operatórios, imobilização de membro para correção de fratura)
  •  Tabagismo
  •  Uso de contraceptivos hormonais ou Terapia de Reposição Hormonal
  •  Gestação, parto e puerério
  •  Pós operatórios de cirurgia prolongadas (acima de uma hora)
  •  Cirurgia de quadril ou de joelho
  •  Câncer
  •  Insuficiência Cardíaca
  •  Doenças cerebrovasculares – infarto do coração, AVE (derrame)
  •  Cateteres de longa permanência (hemodiálise ou quimioterapia)
  •  Viagens Prolongadas (acima de quatro horas)
  •  Trombofilias

O diagnóstico da Trombose pode ser feito por Ecodoppler colorido de membros inferiores que quando realizado por médico experiente apresenta sensibilidade maior que 90% para o diagnóstico. Outros exames como o D-dímero podem ser utilizados como auxiliares do diagnóstico.

O tratamento da trombose é feito com objetivo de minimizar as sequelas no membro acometido e principalmente evitar o Tromboembolismo Pulmonar (TEP) – que é quando ocorre um desprendimento de um fragmento do trombo da perna que através da circulação sistêmica para no pulmão, ocluindo um vaso da circulação pulmonar, ocasionando infarto pulmonar. A gravidade deste quadro depende do calibre do vaso acometido e o quadro clínico pode variar de assintomático até dispnéia (falta de ar) grave com necessidade de ventilação por aparelhos e internação na UTI. A medicação mais utilizada no tratamento é a heparina, a varfarina e atualmente a rivaroxabana, todas medicações que impedem a coagulação do sangue, tornando-o “mais fino”. Como tratamento ainda temos trombólise local e o implante de filtro de veia cava para os casos mais graves e com comprometimento sistêmico maior, ambos realizados através da técnica de cateterismo. O tempo de tratamento e a modalidade escolhida vai depender da avaliação médica, da veia acometida, da extensão da trombose, da intensidade dos sintomas, mas pode variar de três meses até um ano, ou mesmo ser indicado de forma contínua, perene.

A prevenção dos casos de trombose é a melhor forma de evitar complicações. Uma vez que foram identificados os fatores de risco descritos acima, é importante a avaliação do cirurgião vascular para determinar a melhor forma de prevenção. De uma forma geral, a deambulação precoce, o uso de meias compressivas, uso de doses apropriadas de heparina, uso de compressores intermitentes de panturrilha são usados para evitarmos a trombose. Quanto mais fatores o paciente apresentar, mais cuidados deveremos ter com a prevenção da Trombose.

Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito. Aristóteles